5. COMPORTAMENTO 19.9.12

1. OS FILHOS DO PRECONCEITO
2. DESACELERE O TRABALHO
3. O VATICANO NO BRASIL
4. SER QUE ESSA MODA PEGA?
5. O EXEMPLO DE ISADORA
6. GENTE

1. OS FILHOS DO PRECONCEITO
Durante sete dcadas, crianas sadias, nascidas de pais com hansenase, foram segregadas pelo Estado em instituies fechadas, onde faltava carinho e sobravam maus-tratos. Agora elas lutam pelo direito de reparao do governo brasileiro
Paula Rocha

REENCONTRO - Adulta, Teresa (ao centro) descobriu que tinha duas irms, Marisa ( esq.) e Elza. Seu caso motivou a criao de um banco gentico
 
Aos 6 anos de idade, a assistente social Maria Teresa da Silva Oliveira, hoje com 56, sofria com um pesadelo recorrente. Ela se via como espectadora em uma sala de parto de um hospital, onde uma mulher gritava de dor enquanto pessoas de branco, unidas por cordas, se aglomeravam ao redor dela. A cena, que na poca no passava de um tormento noturno para a pequena Teresa, hoje poderia ser interpretada como a nica memria que ela guarda da me biolgica. Separada da progenitora logo aps nascer, ela foi adotada aos quatro meses de vida por outra famlia, na qual cresceu sem saber sua origem. Apesar da conscincia de que era filha adotiva, h apenas oito anos, aps confrontar o irmo de criao, ela pde finalmente conhecer parte de sua histria. Batizada originalmente como Maura Regina, Teresa  filha de uma portadora de hansenase (doena tambm conhecida como lepra) que vivia internada em um hospital-colnia no interior do Estado de So Paulo. Para sua surpresa, sua trajetria se assemelha  de milhares de brasileiros que, entre 1920 e 1980, foram brutalmente retirados dos braos de suas mes doentes e enviados para internatos onde faltavam comida e afeto, mas sobravam maus-tratos. Agora, essa populao que cresceu marginalizada, sofrendo com a desestruturao familiar e a falta de oportunidades, busca uma reparao do governo brasileiro.
 
Em junho, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosrio Nunes, recebeu em seu gabinete, em Braslia, representantes do Morhan (Movimento pela Reintegrao das Pessoas Atingidas pela Hansenase), instituio que luta pelos direitos dos ex-pacientes e dos filhos de portadores de hansenase. Nessa reunio foi criado um grupo de trabalho na Secretaria de Direitos Humanos para reunir dados sobre a questo dos filhos separados (termo usado para designar os filhos de ex-pacientes hansenianos) no Brasil, incluindo um levantamento sobre quantos seriam (estimativas variam entre 25 mil e 40 mil pessoas) e estudos sobre a necessidade de o Estado propor uma reparao a eles. Desde 2007, ex-pacientes que ficaram internados em hospitais-colnia recebem uma penso vitalcia do governo no valor de dois salrios mnimos, o que poderia ser estendido tambm a seus filhos. H uma responsabilidade clara do Estado nessa questo, pois a maioria dos filhos que foram segregados perdeu totalmente os vnculos com sua famlia biolgica e todos tiveram seus direitos humanos violados, disse a ministra Maria do Rosrio  ISTO. Porm, no podemos pensar exclusivamente em uma indenizao de carter financeiro.  preciso estudar outras formas de promover uma reinsero dessas pessoas na sociedade e possibilitar o resgate dessa histria, infelizmente ainda pouco conhecida. Segundo o coordenador nacional do Morhan, Arthur Custdio, a entidade no quer discutir o sofrimento vivenciado pelos filhos de ex-pacientes com hansenase. Mas sim a alienao parental que foi praticada pelo Estado brasileiro ao longo de tanto tempo, disse.

Durante sete dcadas, o Brasil foi palco de uma verdadeira caa s bruxas contra os portadores de hansenase, doena infectocontagiosa caracterizada por manchas na pele, danos ao sistema neurolgico e perda de cartilagens, especialmente orelhas e nariz. Acossados pela polcia sanitria da poca, aqueles que tinham a enfermidade, ou eram suspeitos de estar infectados, eram retirados compulsoriamente de suas casas e internados  fora em leprosrios, hospitais que funcionavam como uma cidade  parte. O sistema de enfrentamento da doena, adotado por Getlio Vargas (1882-1954) tendo como modelo a poltica higienista do italiano Benito Mussolini (1883-1945), se baseava em trs pilares: o dispensrio, para aqueles que manifestavam sinais da doena; o leprosrio, para os pacientes infectados; e os preventrios, para os filhos sadios dos portadores de hansenase. O tratamento dispensado s crianas nascidas de pacientes infectados constava na legislao brasileira. Segundo o Decreto n 16.300, de 31 de dezembro de 1923, filhos saudveis de pais com a doena deveriam ser afastados do convvio familiar e segregados em instituies criadas para esse fim, os chamados preventrios ou educandrios, geralmente administrados por congregaes religiosas. J a Lei Federal n 610, de 13 de janeiro de 1949, determinava que todo recm-nascido filho de pais portadores de hansenase deveria ser imediatamente afastado da me e no poderia nem mesmo ser amamentado por ela. 

Foi o que aconteceu com o aposentado Jos Irineu Ferreira, 63 anos. Filho de pai e me acometidos por hansenase, Ferreira nasceu no hospital-colnia Doutor Pedro Fontes, em Cariacica (ES). Assim que sua me deu  luz, o capixaba foi levado para o educandrio Alzira Bley, na mesma cidade. Ali ele viveu at os 16 anos. Sa para ver o mundo pela primeira vez quando tinha 13 anos, diz o ex-tcnico em telecomunicaes. Durante toda a sua infncia e adolescncia, Ferreira conta que era forado a trabalhar na roa, apanhava quase diariamente e chegou diversas vezes a passar fome. Mas suas piores memrias remontam s poucas visitas que ele pde receber dos pais enquanto esteve internado. Lembro de v-los atravs de um vidro no parlatrio, mas eu no sabia quem eram aquelas pessoas. Depois, a gente se encontrava por meio de uma cerca, mas sempre com guardas monitorando e sem nenhum contato fsico. A vida aps o preventrio tambm no se mostrou fcil. Sem nunca ter recebido carinho ou orientao familiar, ele escondeu sua origem dos colegas de trabalho e at das namoradas. Algumas pessoas me chamavam de filho de leproso. Mas, para mim, o preconceito  mais contagioso do que a lepra, diz.

As dificuldades enfrentadas por Ferreira do a tnica dos depoimentos da maioria desses filhos separados, como explica Thiago Flores, 27 anos, pesquisador da Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais (PUC-MG) e autor do artigo de iniciao cientfica rfos por imposio do Estado  Danos psicossociais causados pela poltica de segregao da hansenase, em parceria com a graduanda Pautlia Paula de Oliveira Campos. Relatos de maus-tratos so constantes entre as crianas que cresceram nos preventrios, diz Flores. A maioria sofria castigos fsicos, muitos tinham a comida racionada e alguns chegaram at a sofrer abusos sexuais, enquanto outros eram dopados com medicamentos sedativos para que no dessem trabalho. Na pesquisa que realizou com 27 filhos de ex-pacientes dos hospitais-colnia de Minas Gerais, ele chegou  concluso de que os problemas vivenciados na infncia e adolescncia desses brasileiros influenciam sua sade psquica at hoje. Os filhos separados, assim como seus pais, foram vtimas do holocausto silencioso institudo no Pas ao longo de dcadas devido ao estigma e preconceito associados  hansenase, diz. Flores tem conhecimento de causa para falar sobre a hansenase, mas sua histria pode ser considerada o oposto da dos filhos separados. Assim que as colnias foram abertas, por volta de 1986, ele foi adotado por um casal de hansenianos, Zenaide e Nelson Flores, que no podia ter filhos. Passei minha vida na colnia, sempre soube que era filho adotivo, mas s fui entender o que era hansenase quando, ao contar para um colega de escola onde eu morava, ele se assustou.
 
Chamada de a doena mais antiga do mundo, a hansenase encontra seus primeiros registros datados de 1350 a.C., no Egito. A forma como a enfermidade  abordada na Bblia, porm, contribuiu para o tratamento cruel e desumano que seria empregado s pessoas por ela atingidas. Na Bblia, a lepra  explicada como uma maldio, que afetaria s os pecadores. Isso gerou um preconceito muito grande contra os hansenianos, afirma Flores. Por conta das crendices e da desinformao, os filhos separados tiveram de lidar com esse preconceito mesmo dentro de suas famlias. Os prprios familiares rejeitavam essas crianas, com medo da contaminao, diz a historiadora Yara Nogueira Monteiro, autora da tese de doutorado Da maldio divina  excluso social: um estudo da Hansenase em So Paulo, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo (FFLCH  USP). Abandonadas pelas famlias e sem possibilidade de conviver com os pais biolgicos, muitas das crianas moradoras dos preventrios foram encaminhadas ilegalmente para a adoo. Os pais no perdiam o ptrio poder do ponto de vista legal, mas na prtica muitas crianas eram adotadas. Meninos e meninas simplesmente sumiam e os progenitores, presos no isolamento, no podiam fazer nada, afirma Yara.

Maria Jos Amlia, a me da paulistana Teresa, at tentou saber notcias da filha, mas no obteve resposta. Nos registros do preventrio onde fui adotada, encontrei uma carta da minha me que nunca chegou a ser respondida. Nela s havia uma anotao da pessoa que a recebeu dizendo esta carta no sei como responder, pois a filha foi entregue ao seu Antnio, meu pai adotivo, diz Teresa. Ela tambm descobriu no arquivo do preventrio Santa Terezinha, em Carapicuba (SP), documentos sobre duas irms biolgicas, Marisa e Elza, que localizou e conheceu com a ajuda do cadastro de filhos separados do Morhan, no qual j constam dez mil inscritos. Seu caso motivou ainda a criao de um banco gentico para tentar encontrar parentes entre portadores de hansenase e ex-internos dos preventrios, chamado projeto Reencontro. Oferecemos gratuitamente para essas pessoas exames de compatibilidade gentica que elas no poderiam pagar por conta prpria, explica Lavnia Schuler Faccini, professora associada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e coordenadora do banco gentico. At agora quatro casos j foram solucionados, trs com resultado positivo e um com negativo, diz. 

O exame de compatibilidade gentica pode fazer a diferena na vida das cariocas Rita de Cssia, 58 anos, e Geovanna Barbosa, 38. No que elas j no saibam que so me e filha.  que, quando Geovanna nasceu, eu no pude ficar com ela, ento meus pais a registraram como filha deles. Pela lei, ela  minha irm, afirma Rita. Grvida aos 20 anos de idade, Rita descobriu ser portadora da doena durante o pr-natal. Voluntariamente se internou na colnia de Curupaiti, no Rio de Janeiro, onde nasceu Geovanna. S vi minha filha de longe e dois dias depois ela j estava no educandrio, diz Rita. Geovanna passou oito anos na instituio, onde sofria diariamente com a saudade da me, a fome, a tortura psicolgica e os castigos fsicos impostos pelas freiras que administravam o preventrio. Me emociono s de lembrar de tudo o que passei l. Me adaptar  vida aqui fora tambm foi um processo muito difcil, diz a auxiliar de produo. Hoje, no entanto, Rita e Geovanna so um exemplo de que  possvel encontrar felicidade mesmo sob a sombra de um passado to dolorido. Hoje minha me pode fazer pelo meu filho Jonathan tudo o que no pde fazer por mim. Tenho muito orgulho dela, porque  uma guerreira, afirma Geovanna. S espero que, ao divulgar essa histria, as famlias brasileiras nunca mais tenham que ser separadas por causa de uma doena, diz Rita. E que o Estado possa trazer um pouco de alento a todos aqueles que tiveram suas vidas sequestradas pela cruel poltica da segregao. 


2. DESACELERE O TRABALHO

Essa  a mxima do movimento slow work: quanto mais flexvel for o ambiente profissional, mais produtiva ser a equipe
Natlia Martino 

ESCOLHA - Leonardo Ricciardi: trabalha como, onde e quando quer, com salrio duas vezes menor
 
Executivo de uma multinacional espanhola, Leonardo Ricciardi, 35 anos, iniciou 2012 como um tpico profissional de sucesso. Mas a remunerao alta cobrava seu preo: a diferena de fuso horrio com a Espanha fazia seu dia comear s 4h30. Cansado dessa rotina, Ricciardi resolveu trocar de emprego em fevereiro. Hoje gerente de operaes de uma empresa de tecnologia no Rio de Janeiro, ele ganha duas vezes menos do que no emprego anterior. Em compensao, trabalha como, quando e onde quer. Abaixei meu padro financeiro, mas acompanho o crescimento da minha filha e finalmente vou terminar meu curso de chins, que adio h seis anos, diz. Essa flexibilidade  uma das vertentes do slow work, trabalho lento. Apesar do nome, especialistas garantem que a estratgia pode aumentar significativamente a produtividade da empresa. Somos bombardeados com informao o tempo todo e se espera que a resposta seja sempre instantnea, mas a resposta mais rpida nem sempre  a melhor, disse  ISTO Peter Bacevice, consultor da DEGW, multinacional especializada em melhorias nos ambientes corporativos.

O conceito de slow work  basicamente facilitar a vida dos empregados, diz Clara Linhares, professora de gesto de pessoas da Fundao Dom Cabral. A satisfao deles, por sua vez, aumenta seu comprometimento com a empresa e sua produtividade. Para gerar esse contentamento vale tudo que favorea o florescimento de novas ideias e o equilbrio da vida profissional e pessoal. Mas as mudanas precisam ser feitas com cuidado. A dica  incorporar as mudanas aos poucos e depois de muito dilogo com os funcionrios, diz Clara Linhares. Sem pressa e com mais eficincia, como o prprio slow work.  


3. O VATICANO NO BRASIL
Exposio com 200 objetos que contam a histria da Igreja Catlica chega ao Pas com vrias peas que jamais saram dos museus da Santa S
Joo Loes

Levar o Vaticano ao mundo. No se sabe bem quando essa ousada ideia foi apresentada ao ento papa Joo Paulo II (1920-2005) por seu time de assessores. O que se sabe  que o sumo pontfice no s a aprovou, como fez uma apaixonada defesa dos benefcios de dividir com o mundo, em exposies itinerantes, as preciosidades artsticas, histricas e culturais que at ento viviam enclausuradas nos 13 museus da cidade-estado. O projeto acabou saindo do papel s seis anos depois da morte de Karol Wojtyla, com a abertura, em 2011, da exposio Esplendores do Vaticano, nos Estados Unidos. Nela, 200 objetos cuidadosamente selecionados contaram os dois mil anos de histria da instituio. Pois em 20 de setembro de 2012 ser a vez do Brasil receber o tesouro de Roma. E ao Pas viro obras que no estavam nem na exposio americana, como peas ligadas ao prprio Joo Paulo II.  a chance de ver o que s quem viaja at o Vaticano v, diz o padre Valeriano Costa, diretor da Faculdade de Teologia da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo (PUC-SP).

Nos Estados Unidos, 1,5 milho de pessoas aproveitaram a oportunidade. Por l, a exposio passou por trs cidades, sempre acompanhadas pelo olhar atento do monsenhor italiano Roberto Zagnoli, curador e responsvel pelo acervo que agora est no Brasil.  sob a coordenao de Zagnoli que 25 tcnicos estrangeiros, 70 brasileiros e 50 profissionais de produo trabalham para montar a exposio nos 6,2 mil metros quadrados de trs pavimentos da Oca, pavilho de exposies dentro do Parque do Ibirapuera, regio centro-sul da capital paulistana. Profundo conhecedor das peas  durante 15 anos, Zagnoli foi diretor do departamento de etnologia dos museus do Vaticano , o religioso diz se emocionar at hoje diante dos objetos. Saber que estou frente a frente com o compasso usado por Michelangelo para dar substncia  Capela Sistina sempre ser impactante para mim, afirma, sobre um dos destaques da exposio. Entre outras preciosidades esto as relquias de So Pedro e So Paulo, um par de anjos de Gian Lorenzo Bernini, um molde das mos de Joo Paulo II e um tijolo do tmulo de So Paulo (leia outros destaques nestas pginas).

Reaes parecidas com a de Zagnoli foram observadas entre os visitantes da etapa americana da turn. Em uma das cidades por onde passou a exposio, por exemplo, o curador contou dez visitas de um mesmo casal. As frases que as pessoas deixavam nos livros de visitas tambm indicavam o quanto elas foram tocadas, diz Zagnoli. E no foram s os visitantes religiosos que narraram experincias relevantes. Como a histria da Igreja se confunde com a da Europa e do mundo ocidental, pesquisadores, artistas e curiosos tambm aprovaram o que viram.  o tipo de exposio que acaba agradando a todos os gostos, diz Stephanie Mayorkis, diretora da T4F  Time for Fun, que trouxe a exposio para o Brasil. Esta  a primeira vez que o grupo de entretenimento investe em uma exposio com motivos religiosos. Acostumados a montar espetculos para estrelas da msica como Madonna, Lady Gaga e Luan Santana, eles viram na Esplendores do Vaticano uma tima oportunidade de negcio. Esperamos atrair algumas centenas de milhares de visitantes, diz Mayorkis. Os ingressos custaro R$ 44, sendo R$ 52 a visita com hora marcada. A exposio vai at 23 de dezembro.


4. SER QUE ESSA MODA PEGA?
Biqunis no estilo calcinha da vov conquistam celebridades internacionais e agora tm o desafio de seduzir as brasileiras, acostumadas a peas mais ousadas
 Paula Rocha 

COMPORTADA - A atriz Uma Thurman escolheu um biquni com cintura alta e top largo
 
O vero no Hemisfrio Norte est chegando ao fim, mas durante os ltimos trs meses de sol e calor uma tendncia de moda se destacou: o biquni estilo calcinha da vov, usado com top largo ou tomara que caia. O modelo, uma verso atualizada dos trajes de banho de duas peas usados na dcada de 1940, conquistou celebridades internacionais e tambm foi adotado por annimas americanas e europeias. Famosas de idades variadas, como as atrizes Uma Thurman, 42 anos, e Diane Kruger, 36, a socialite americana Kim Kardashian, 32, e a jovem atriz contratada pela Disney Bella Thorne, de apenas 14 anos, desfilaram nas areias e piscinas com modelitos ora comportados, ora estilosos, mas sempre com um ar retr, e ajudaram a popularizar a tendncia. Nas passarelas, a calcinha grande, tambm conhecida como hot pants, j havia aparecido h pelo menos trs temporadas, em verses para usar na cidade. Depois, o estilo migrou para a moda praia.

RETR - A socialite americana Kim Kardashian valorizou suas curvas com um modelo que parece pea de brech
 
Por aqui, grifes de beachwear brasileiras esto apostando nos looks com inspirao vintage. Marcas como Poko Pano e Cia. Martima incluram em suas mais recentes colees biqunis com calcinha grande de cintura alta e tops estruturados. Destaque entre as marcas de moda praia nacionais, a grife Adriana Degreas apresenta desde 2009 peas no estilo retr. Para mim, a tendncia vintage no beachwear  muito elegante, e, alm disso, as peas modelam o corpo naturalmente, diz Adriana. A moda do biquni da vov, no entanto, pode no fazer tanto sucesso no Brasil quanto fez nas praias internacionais. A brasileira  predominantemente sensual, gosta de valorizar o corpo e por isso tem tendncia a usar biqunis menores, diz a personal stylist e consultora de moda Manu Carvalho. E h tambm a questo de que o sol no Brasil queima mesmo e esses biqunis no so para bronzear, so para o pr ou o ps-sol. Para quem gosta do estilo antiguinho e quer arriscar um modelo com cintura alta e top largo, a especialista afirma que esse traje fica bom em qualquer tipo de corpo, mas sugere que ele seja usado apenas antes ou depois de se expor ao sol. O segredo  pensar nessas peas mais como top e shortinho do que como biquni propriamente dito, diz.  

ESTILOSAS - As atrizes Bella Thorne (acima) e Diane Kruger apostaram em trajes elegantes, com ar vintage


5. O EXEMPLO DE ISADORA
Alunos de vrias partes do Pas criam pginas para denunciar os problemas de suas escolas, seguindo o modelo da estudante que virou celebridade na internet
 Paula Rocha 

ESTRUTURA - Guilherme Patrcio, 14 anos ( dir.), criou com Victor Nascimento, 14, uma pgina (no detalhe) para retratar as ms condies da sua escola 

Desde o final de agosto, alunos de unidades pblicas de ensino de Estados como Rio de Janeiro, So Paulo, Esprito Santo, Bahia e Gois, entre outros, esto expondo na rede social Facebook problemas de suas escolas, como janelas quebradas, falta de professores, descaso da direo e ausncia de manuteno da estrutura fsica, mazelas comuns a milhares de estudantes brasileiros. As vrias iniciativas que despontam no Pas foram inspiradas na pgina Dirio de Classe, da estudante catarinense Isadora Faber, 13 anos, aluna da Escola Maria Tomzia Coelho, na praia do Santinho, em Florianpolis (SC). No seu dirio virtual, que j conquistou cerca de 250 mil seguidores, Isadora denunciou as ms condies estruturais e os problemas pedaggicos da instituio em que estuda. Suas reivindicaes deram resultado  a escola passou por uma reforma e um professor de matemtica foi afastado. Animados com as vitrias da catarinense, vrios estudantes resolveram seguir seu exemplo. 

Caso dos amigos Guilherme Patrcio e Victor Nascimento, ambos de 14 anos. Matriculados no nono ano da Escola Estadual de So Paulo, eles decidiram criar um perfil no Facebook para retratar o pssimo estado das instalaes do colgio. Rachaduras nas paredes e vidros quebrados no faltam, diz Guilherme, que comprova com fotos as reclamaes. Considerada uma das mais tradicionais escolas estaduais de So Paulo, a unidade de ensino sofre com o vandalismo praticado pelos prprios alunos e com o descaso da direo, diz Guilherme. Os alunos destroem, mas a direo no quer arrumar, diz.

AUSNCIA - Giovanna Gomes, 13 anos, da Escola Estadual Emilia Anna Antnio, em Guarulhos (SP), exps a falta de uma biblioteca organizada e o excesso de cadeiras quebradas, entre outros problemas
 
A manuteno deficiente das dependncias escolares tambm incomoda a jovem Giovanna Gomes, 13 anos. Aluna da Escola Estadual Emilia Anna Antnio, em Guarulhos (SP), ela conta que a quadra descoberta est com um muro em vias de cair, o teto das salas de aula est repleto de buracos e a biblioteca  pequena e mal organizada. Algumas janelas e louas do banheiro esto quebradas h trs anos, diz Giovanna. Alm disso, tenho um professor de educao fsica que faltou trs semanas seguidas. A microempresria Raquel Gomes, 35 anos, me de Giovanna, apoia a iniciativa da filha. Esperamos que ela consiga melhorias para a escola, mas ao mesmo tempo temos medo de represlias, diz. 

Procurada para comentar os problemas retratados pelos estudantes, a Secretaria da Educao do Estado de So Paulo afirmou em nota que j esto sendo tomadas as providncias necessrias em relao s duas instituies de ensino. A Escola Estadual de So Paulo passar por uma reforma geral para oferecer uma melhor infraestrutura aos alunos e professores. A previso  que as obras tenham incio at o primeiro trimestre de 2013. J no caso da Escola Estadual Emilia Anna Antnio, sero executados nos prximos dias servios emergenciais como a troca de uma vlvula no banheiro, de forro e vidros, e a instalao de tampos nos vasos sanitrios. A menina Isadora, por sua vez, comemora a onda de mobilizao estudantil que provocou. Fico muito feliz em ver que os dirios esto se espalhando, acho realmente que juntos podemos melhorar a educao para todos, diz. Os alunos j esto fazendo a sua parte.


6. GENTE
por Gisele Vitria com Bruna Narcizo e Juliana Faddul

COM VERSAILLES A SEUS PS
Luiza Brunet e o bilionrio Lrio Parisoto comemoraram dez meses de namoro em um exclusivssimo evento da Dom Prrignon no palcio de Versailles, na Frana, ao som do pianista chins Lang Lang (no detalhe). Versailles respira histria. Foi muito especial, disse Luiza. O evento  capa da revista Isto Gente. Depois da temporada em terras francesas, o casal partiu para seis dias de dolce far niente e romance em Milo, Lugano, Cannes e Cap Ferran. Aos 50, voc no tem tempo a perder. Tem que valer a pena, diz a musa.


APENAS UMA MENINA DE 19 ANOS 
Na pele de Lindinalva da novela Gabriela, Giovanna Lancellotti no  apenas mais um rostinho bonito na tev. A entrega  personagem sofrida choca at sua me. Ela me ligou outro dia chorando bastante. E  muito raro ela chorar! Disse que parecia que no era a filha dela que estava ali, contou. Apesar do sofrimento em cena, fora das telas ela conta que  como toda menina da sua idade. Levo uma vida normal. Passo por tudo que garotas de 19 anos passam. Ela garante que est sozinha, mas conhecendo pessoas novas.
 
Balas
Foi depois de receber em sua casa uma das filhas de Silvio Santos, na quinta-feira 13, que Hebe acertou sua volta para o SBT. Tudo foi fechado com Claudio Pessutti, empresrio da dama da tev. Hebe ficou muito animada com o novo projeto. O programa, sem previso de estreia, ter um formato aberto, sem regularidade definida e pode ser gravado em sua casa. Ela manter a rotina de quimioterapia.
 
Carcereiros, novo livro de Drauzio Varella, ser lanado em 1 de outubro com tiragem de 80 mil exemplares.  o maior lanamento do ano da editora Companhia das Letras. O livro  o segundo da trilogia Carandiru. O primeiro, Estao Carandiru, lanado em 1999, vendeu 500 mil. Varella trabalha no terceiro livro: Prisioneiras. 


" O AMOR" POR R$ 3 MILHES 
Para a quinta edio do Cruzeiro  o Amor, Zez Di Camargo e Luciano alugaram o navio MSC Magnfica por R$ 3 milhes. Antes, eles recebiam cach para os shows (so trs a bordo). Desta vez a dupla  responsvel pela comercializao das cabines e arcar com qualquer prejuzo. Em contrapartida, o lucro ser todo deles. O cruzeiro vai de 28 de fevereiro a 3 de maro e custa de US$ 599 a US$1.599 por pessoa.


DA TROPICLIA PARA VILLA-LOBOS 
Mal o longa ?Tropiclia? estreou e o diretor Marcelo Machado j tem novos planos em mente: o cineasta est estudando a obra do maestro Heitor Villa-Lobos. ?Depois que fiz ?Tropiclia? pensei em como  importante recuperar a histria musical do Brasil para a molecada. As geraes mais recentes precisam conhecer nossa msica, e filmes so timos para isso.? Machado tambm est gravando um DVD sobre o trabalho do pianista Benjamin Taubkin.


BONNERMVEL
William Bonner estaria interessado numa porsche conversvel prata, totalmente customizada. O editor e apresentador do ?Jornal Nacional? foi visto na Leandrini, luxuosa loja de customizao de veculos de alto luxo da capital paulista. A coluna apurou que Bonner viajou do Rio de Janeiro para So Paulo e voltou no mesmo dia.  


"UMA MENINA SERIA INCRVEL" 
Grvida de mais um menino, Fernanda Tavares mantm o clich o que vier  bem-vindo, mas admite o desejo de mais um terceiro filho: Uma menina tambm seria incrvel. A top e o marido, Murilo Rosa, diferentemente da primeira gestao, quiseram saber o sexo porque o primognito Lucas, 4 anos, insistiu. Na primeira, no havia irmo perguntando sobre o sexo do beb, conta. Murilo dedica-se ao vilo que viver em Salve Jorge. Dispensou dubl em cenas com cavalos. Seu pai tem haras em Gois. Eles posaram para a marca Tigor T. Tigre.

